Beyond: Two Souls – um filme interativo

A lembrança é fresca: eu, sentado na sala de minha casa, assistindo TV e imaginando “caramba, como seria MASSA se existisse um filme que a gente pudesse ir controlando os atores durante as cenas”.
Na mesma hora olhei para meu Atari® e pensei que talvez fosse isso que o videogame fazia, mas não era.

É essa ânsia que a Quantic Dream busca preencher com seus trabalhos, e Beyond: Two Souls não desaponta.

- O que é?

Pra você que não acompanha o blog e não viu esse post AQUI, Beyond: Two Souls é o mais recente trabalho da Quantic Dreams, é um título lançado para o PlayStation 3 em outubro do presente ano; e uma das melhores experiências interativas que você terá, ou não.

Evitei e usar as palavras “game” ou “jogo” justamente por que é aí que residem as divisões acerca de Beyond: Two Souls.

- Beyond: Ame-o ou deixe-o

Basta uma rápida olhada no Metacritic para perceber que Beyond consegue obter críticas de nota máxima, sob louvores de “Obra-prima”, como despertar avaliações com notas ínfimas, abarcando comentários como “incrivelmente chato”.

Até mesmo grandes portais norte-americanos não chegam a um consenso quanto ao jogo, o IGN deu nota 6,0 e o classificou como “Ok”, já o GameSpot deu nota 9,0 e o intitulou de “Soberbo”.

Mas afinal, o que diabos causa esse partidarismo?

Que nota será que eu mereço?

- Beyond NÃO é um jogo

Wait…WHAT?

É isso mesmo. Beyond: Two Souls é qualquer coisa, menos um jogo de videogame, ou não é apenas um jogo de videogame.
A equipe de David Cage já havia tomado notoriedade pelo modo não convencional do controle de seus personagens e foco em uma história mais trabalhada, primeiro com Fahrenheit (ou Indigo Prophecy) e depois com Heavy Rain.

Em Beyond, Quantic Dream resolveu ir além (tum dum diss) e simplificaram ainda mais o controle dos personagens e interações durante a história. 

Nos próprios making-off’s (disponíveis através de “bônus” escondidos no jogo) a equipe chega a dizer que quando um jogador falhava durante os testes, todos se reuniam para estudar como tornar os mecanismos ainda mais intuitivos e que exigissem menos raciocínio; a intenção era fazer com que o jogador esquecesse o joystick em sua mão e ficasse completamente imerso na história apresentada.

Se você ainda acha que Beyond: Two Souls é um jogo, toma essa: não existe “game over”!
Pressionar a sequência errada de botões ou perder o tempo nos momentos de ação apenas faz com que a história tome outro rumo, mas em NENHUMA ocasião você será direcionado para um momento anterior para começar tudo de novo.

Dara O Briain, em um de seus números de stand-up traz bem o que é um videogame:

The video cannot be shown at the moment. Please try again later.

Se seu inglês está enferrujado, aqui vai o resumo da parte que nos interessa agora:

Videogames fazem aquilo que nenhuma outra arte faz. Você não pode ser ruim assistindo um filme, ouvindo música ou lendo um livro, mas você pode ser ruim jogando um Videogame… e ele TE PUNE por fazer isso; e ele te nega acesso ao resto dele mesmo.
Você nunca leu um livro e de repente ele te perguntou: -’Quais os principais temas da história até agora?’ E se fechou ao ouvir uma resposta errada.

É exatamente isso que Beyond não irá fazer. A história irá seguir, não importa o quão “ruim” você seja, você sempre chegará ao final (ao menos um deles).

Sem desafios nem recompensas ou puniçõesBeyond perde seu status de videogame; também não ganha a qualidade de filme, ou de música… Beyond: Two Souls é um mix dessas três coisas. 

Beyond é UMA HISTÓRIA INTERATIVA.

As pequenas escolhas da vida

- Pontos altos e baixos

* ▲ Enredo: Deixando de lado os vários personagens de Heavy Rain, a história é centrada inteiramente
………………em Jodie Holmes, isso faz surgir uma verdadeira conexão emocional com a personagem.
………………Jodie vira sua amiga, você não vai conseguir deixar de acompanhar sua jornada.

*▼ Enredo: O modo não-linear como é contada, pode fazer com a história fique confusa algumas
……………..vezes, fazendo com que você tenha que parar um pouco para organizar o quebra-cabeças.
……………..Enquanto alguns capítulos são incrivelmente tocantes e belos, outros podem ser bem
……………..arrastados ou destoantes da história.
……………..O foco completo na história acaba sendo uma faca de dois gumes, caso você não goste
……………..do que está sendo contado nada mais irá salvar a experiência.

*▲ Dublagem de voz: Page e Dafoe lideram uma das, senão a melhor, dublagem de voz.

*▼Dublagem de voz: A dublagem nacional é boa, mas não se compara com a original. Além disso,
………………………….as primeiras cópias brasileiras vieram sem dublagem e legenda em português,
………………………….fazendo com que a SONY efetuasse um recall.

*▲ Trilha sonora: Composta por ninguém menos que Hans Zimmerconta ainda com uma singela e
……………………..bonita participação de Ellen Page, digo, Jodie Holmes:

The video cannot be shown at the moment. Please try again later.

- Passando a régua:

Beyond: Two Souls além de não ser perfeito, também é capaz de não despertar o menor apelo em inúmeras pessoas, mas uma coisa não há como lhe negar: ele é algo que faz BEM ao universo dos jogos, justamente por quebrar barreiras e estimular o desenvolvimento de um novo conceito de entretenimento.
Um texto que apesar de curto é bastante esclarecedor foi o escrito por Paul Tassi, para o site da Forbes, chamado Why We Need More Games like ‘Beyond: Two Souls (Por que nós precisamos de mais jogos como ‘Beyond: Two Souls’).

No texto ele narra como a esposa dele, uma pessoa completamente desinteressada por games, foi capturada e imersa pela experiência com Heavy Rain e, mais recentemente, Beyond: Two Souls. Beyond consegue agradar até mesmo aquelas pessoas que não são atraídas pelo conceito tradicional de um videogame.

E aqui vai um exercício para que você compreenda e valorize a proposta de Beyond: Two Souls - imagine um roteiro assinado por Joel e Ethan Cohen, dirigido por Spielberg, estrelado por Bill Murray e dado à você o controle sobre parte do desenrolar da história?
- Ou que tal poder salvar Ned Stark em Guerra dos Tronos? Fazer Ferris Bueller cantar outra música ao invés de Twist and ShoutOu ainda poder descobrir o que Bob Harris fala no final de Encontros e Desencontros?

Vale até virar Emo

- Joysticulando recomenda:

Ainda que você seja o mais hardcore dos gamers, se você aderir à experiência sem associá-la à ideia de um videogame, irá desfrutar de algo realmente cativante.
É algo quase obrigatório, JOGUE Beyond: Two Souls! 

 

1 Comment

  • Muti legal o seu review, Daniel! Exprime exatamente tudo que senti ao jogar esta maravilha! Se bem que o zeramos juntos, né? Kkkkk Abraço!!

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